12 anos de hip hop e companheirismo d’us Quebra de Sigilo

Por Caio Machado
Max BK e Mano Bad
Com uma mistura de sonoridades que abrangem desde o som tradicional do hip hop ao suingue latino do reggaeton, o grupo de rap Us Quebra de Sigilo, ou abreviando Us’QDS, é formado pelos patenses Juliano (Mano Bad) e Maxoel Silva (Max BK).

A trajetória de Mano Bad no hip hop iniciou no ano de 2001, quando ele dançava pelo grupo Radicais do Rap do Bairro Lagoinha. Para não ficar parado em um festival que não iria dançar, foi convidado para cantar com um amigo e tomou gosto pelo som.

O primeiro contato de Juliano com o rap veio com a canção “Fim de Semana no Parque”, dos Racionais MC’s, que ele conheceu ao escutar uma fita K7 com várias músicas gravadas e presenteadas por um primo.

Dali em diante, ele passou a se profundar no gênero musical por meio dos raps das antigas, ouvindo grupos como Realidade Cruel, Facção Central, Cirurgia Moral, Álibi, Guindaste 121, Código Penal, dentre outros.

Mano Bad cantou em alguns grupos de rap da cidade, mas pelo fato de não darem certo, decidiu criar o próprio. Nascia em outubro de 2007, o Quebra de Sigilo, que além de Bad, possuía na formação Charles “Snake” e Willian “Bundinha”.

Com o trio, eles compuseram duas músicas e logo se juntaram ao bando os MC’s Márcio “Mexerica” e Francis. Eles chegaram a se apresentar em três ou quatro shows, mas a formação se desfez e apenas Mano Bad permaneceu no projeto.


Em 2009, quando trabalha na loja Sombra Roupas e Acessórios, Mano Bad conheceu Maxoel Silva que frequentava olhando roupas e tênis. De tanto conversarem, Bad instigou a curiosidade de Max a respeito da cultura rap.

Juliano contou que cantava rap e Maxoel disse que também gostava de cantar. À capela, ele mostrou um hip hop estrangeiro para Mano Bad e logo eles se encontraram e acertaram a nova formação do Quebra de Sigilo.

Max BK conheceu o rap na adolescência, ao ouvir a música Castelo de Madeira, do grupo de rap paulista “A Família”. Ele gostava da música rap, mas só foi se entregar ao estilo ao entrar no Quebra de Sigilo.

O primeiro show deles ocorreu na Praça do Fórum, durante a programação da Festa Nacional do Milho. Na ocasião, o MC Jonathan, amigo de Max, também participou brevemente do grupo.

A amizade e consideração de Mano Bad e Max BK, desenvolvida por meio da interação dos dois por meio do hip hop, tomou proporções familiares. Eles se já se consideram praticamente irmãos e ainda se tornaram compadres.

Na década que se seguiu, a dupla se consolidou na cena do rap patense. A mudança de nome do grupo ocorreu quando Mano Bad descobriu que havia outro QDS em Brasília, o Quebra de Silêncio. Foi aí que surgiu o prefixo “Us”.

Inicialmente, Mano Bad escrevia e executava as rimas das canções e Max BK cantava os refrãos melódicos. Mas com o tempo, BK começou a se arriscar no rap e os dois começaram a escrever juntos.

Um dos momentos marcantes da carreira do grupo ocorreu em um show na Avenida Getúlio Vargas no ano de 2010. Juliano recorda que antes de conhecer BK, não costumava cantar raps românticos e sua rima era mais agressiva.

“Fizemos um show com músicas mais românticas e boa parte do público interagiu cantando os refrãos. Foi muito bacana, principalmente com as canções ‘Preciso de seus carinhos’ e ‘Um grande amor’”, recordou Mano Bad.

Outra recordação foi dos apuros que passaram após uma apresentação feita na cidade de Araguari. A recepção no evento foi ótima e o show ocorreu perfeitamente, o problema aconteceu mesmo na hora da dupla regressar para Patos de Minas.

“Costumamos ir para eventos em bando, mas desta vez, BK e eu havíamos ido sozinhos de carro. Quando saíamos da cidade, o carro não quis pegar e após muita peleja, deu partida. Viemos o percurso todo apreensivos, mas ao chegarmos morremos de rir”.


O estilo d’Us’QDS é muito abrangente. Max BK conta que eles anexam sonoridades reggae, rock e até mesmo de pop instrumental. Mesmo com a sonoridade diversificava, a dupla afirma que não é fácil fazer rap na cidade.

“Patos de Minas tem a mentalidade musical mais voltada para o sertanejo. Os mais jovens até gostam de rap, mas a maioria prefere ouvir funk. É muito complicado atingir o público, mas continuamos cantando porque amamos o rap”, disse Bad.

Ele também afirma que o rap ainda irá romper mais barreiras e que as músicas d’Us’QDS são fáceis de serem assimiladas pelas pessoas por abordarem diversos tipos de temáticas, não só de assuntos locais, como também globais.

“Nossas canções falam de realidades boas e ruins. Tanto de temas mais tristes, como a criminalidade das ruas, quanto de acontecimentos das coisas boas na noite, como festas e frevos”, contou Juliano.

Uma conquista recente da dupla foi a aquisição de equipamentos para o próprio home studio. “Este era um sonho nosso bem antigo de obter a própria independência musical”, afirmou Max BK.

As primeiras músicas do grupo haviam sido gravadas no Estúdio Canil da Norte, do grupo patense Voz de Poder e as mais recentes, estavam sendo produzidos no Estúdio NoisMeMuProdui!yz, da Voz da Quebrada.

Duas músicas já foram inteiramente gravadas, mixadas e masterizadas pelo Us'QDSHomeStudio, sendo elas “Uma chance pra dizer”e “Atritos”, que contou com a participação da cantora Cecília Correa.

Com a pandemia do coronavírus, a dinâmica do grupo mudou e eles se encontram apenas para gravar. Os ensaios não ocorrem mais e as canções são trabalhadas por WhatsApp. Quando prontas, eles se encontram para gravar os vocais.

Maxoel afirma que a nova fase do grupo tem sido de muito aprendizado. “Entramos em outra dinâmica da cultura do rap e estamos aprendendo muito. Antes eu só cantava e agora estou aventurando como produtor musical”, relatou BK.

O home studio fica na casa de Max BK na Rua Doutor Theofredo Borges, 39, Bairro Sebastião Amorim e está aberto para parcerias musicais. Acompanhe o trabalho d’Us Quebra Sigilo pelo Instagram @usqdsoficiall.

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