Aislan Henrique, o polêmico fotojornalista do Patos Agora

Por Caio Machado

Criador do Patos Agora, um dos portais de notícias de maior repercussão em Patos de Minas, o fotojornalista Aislan Henrique da Silva, de 33 anos, coleciona histórias e causos acumulados com os anos de atuação no jornalismo pela cidade.

Com imagens que ganharam repercussão nacional, e até internacional, a vida de Aislan começou na data em que é celebrada o Dia do Amigo, 20 de julho, no ano de 1987, na capital federal do país, Brasília.

A mãe dele, Sirlene Maria da Silva é patense, mas residia no Distrito Federal na ocasião. Aislan nunca soube ao certo quem era o pai biológico e a mãe dele especula que o filho possa ser de um dos dois homens com quem se envolveu na cidade.

Um tio de Sirlene, que na ocasião atuava como deputado, quis criar o bebê, mas ela se negou. Posteriormente, o avô de um dos supostos pais, que vivia em Goiás, também propôs de ficar com a criança, mas ela decidiu cria-lo e mudou-se para Patos de Minas.

Ela se casou e residiu com o filho e esposo em uma casa na Rua da Ladeira no Bairro São José Operário, onde Aislan cresceu e viveu parte da infância. Em seguida mudaram para o Bairro Alto da Colina e por fim, para o município de Serra do Salitre.

A vida em Serra do Salitre
Aislan morou inicialmente em roça, numa locação em que havia um abatedouro. O menino precisava andar cerca de 5 km para ir até a cidade estudar e constantemente deparava com cobras pelo percurso que fazia.

Ele era um garoto tímido e calado e teve poucos amigos pelos 15 anos que residiu em Serra do Salitre. Eles se mudaram para a cidade e ele começou a vender picolés como forma de obter dinheiro. “Imagina uma pessoa tímida vendendo picolé?”, indagou?

Devido ao clima mais frio da cidade e a dificuldade provida pela forte timidez, Aislan Henrique experimentou vender salgados e por muitos anos ocupou-se com esta atividade.

Certa vez ele ficou muito triste ao perder uma bolsinha de dinheiro com a quantia de R$1,80, que na época era uma soma muito alta. Ele também se recorda de quando foi até uma mercearia e encontrou um dinheiro caído no chão.

“Eu peguei o dinheiro e segurei forte, mas logo o dono dele apareceu. Como eu havia sofrido com uma perda igual recentemente, devolvi o dinheiro a ele, que me agradeceu e ainda me pagou uma paçoca. Fui embora feliz por aquele gesto”, contou.

Outra recordação que o marcou foi quando se deitou com amigos na calçada para olhar as estrelas e avistou um óvni entre as nuvens. “Era diferente dos satélites que víamos. Podia ser um cometa, mas éramos inocentes demais pra saber”.

Aislan teve uma infância normal, brincando de pique-esconde, pega-pega, bete e bolinha de gude. Mas uma coisa que ele fazia escondido e que a mãe provavelmente desaprovaria, era ir para cachoeiras.

“Foi uma época que explorei bastante a região, conheci as belezas naturais e aprendi a nadar” descreveu Aislan Henrique, que fazia os percursos até as quedas d’água andando com os amigos.

Ele lembra que com muito custo os pais lhe deram uma bicicleta que haviam comprado parcelada e que logo nas primeiras semanas, carregou um amigo para leva-lo até uma cachoeira e o veículo quebrou.

“Meu colega decidiu pegar uns gatos que estavam pelo caminho e, sem querer, enfiou um dos pés nos raios de uma das rodas. Tomamos um tombo! A bicicleta nunca mais foi consertada, pois ninguém tinha dinheiro para pagar”.

Conforme crescia, Aislan presenciava imagens fortes que premeditariam o interesse pelo jornalismo, como por exemplo, acidentes sofridos pelas irmãs Aislana e Thaís Ketley, em que uma delas foi pisoteada por uma vaca e outra atropelada.

Pedreiro abraçando bombeiro que o resgatou de cisterna em 2011.
Retornando para Patos de Minas e a tentativa de conhecer o pai
A mãe dele se divorciou e foi morar em Patos de Minas, deixando-o para trás com o padrasto. Aislan decidiu ir atrás dela e apenas com a roupa do corpo, pegou uma carona para a cidade.

“Eu já era acostumado a pegar carona, pois dos meus 10 aos 15 anos viajei bastante assim. Hoje eu dou muita carona. Tem gente que não recomenda, mas se o coração bater mais forte a gente para, se não, a gente segue viagem”, disse.

Em Patos de Minas, Aislan trabalhou num canil, numa marcenaria e em tudo mais aparecia. Logo que chegou à cidade, conseguiu uma bicicleta e saiu reconhecendo o terreno para ter noção de tudo que ocorria em solo patense.

Aos 18 anos, teve uma discussão com a mãe e com apenas 70 reais no bolso saiu em busca de um dos pais biológicos. Pegou carona de Patos à Patrocínio, depois até Serra do Salitre e Brejo Bonito, e por fim, Uberlândia.

“Entrei num ônibus para Caldas Novas e encontrei a casa dos meus supostos avós. Permanecei lá por duas semanas, mas fui expulso por comer um ovo que não era para mim. Eles pagaram a passagem e vim embora sem conhecer meu pai”.

Aislan não desistiu e anos depois refez o trajeto, localizando o endereço do suposto pai biológico. Ao contar a história, o homem não quis aceitar e virou-lhe as costas. Até hoje ele não sabe quem é o pai verdadeiro.

Blog do Aislan
A guinada que levaria Aislan Henrique para o mundo do fotojornalismo teria início após ele tirar carteira e começar a trabalhar como motoboy pelas ruas agitadas de Patos de Minas.

Por sempre testemunhar diversos acidentes de trânsito, teve a ideia de começar a fotografá-los. Com a ajuda da mãe que lhe comprou uma câmera simples de 200 reais, parcelada em dez vezes de 29,90, passou a clicar os acontecimentos.

O primeiro acidente grave que fotografou foi um atropelamento de motocicleta sofrido por uma mulher na Avenida Paracatu. As imagens foram cedidas ao repórter Igor Nunes do site Patos Notícias.

No dia seguinte, Aislan fotografou mais colisões de trânsito e logo conheceu o repórter Paulo Barbosa da TV Integração e aos poucos começou a firmar parcerias e vender fotos para Igor Nunes e o finado radialista Lindomar Tavares.

Durante o dia ele trabalhava fazendo cobranças para uma loja de materiais hidráulicos e à noite entregava pizzas. Na mesma ocasião, ele também começou a fotografar eventos e trabalhar para uma dupla sertaneja.

Um fotógrafo do site Agito Produções iria se mudar para Araxá e Aislan ficou com a vaga dele, intensificando as coberturas de festas e eventos. Em breve surgiria o Blog do Aislan, onde ele divulgaria as fotos de festas e acidentes de Patos de Minas.

Aislan começou a dormir na sede do Corpo de Bombeiros e assim que as ocorrências surgiam, ele deixava o local antes mesmo dos bombeiros e passou a ficar conhecido por sempre chegar primeiro que todos.

“Recebi um telefonema de um crime no Bairro Alto da Colina e pude ouvir os tiros enquanto falava no telefone. Me perguntam como eu chego antes de todo mundo, mas é que as vezes sou informado dos acontecimentos antes mesmo do resgate”.

É comum que um fotojornalista se depare com acidentes trágicos e perca a sensibilidade com imagens fortes. Aislan ressalta que apesar de sofrer um pouco disto, emociona-se com frequência com as coberturas que realiza.

“Uma matéria que me marcou bastante envolvia a morte de uma das vítimas. Um parente chegou ao local e chorou tanto que eu desabei. A emoção da perda do familiar foi mais forte que o óbito em si”, contou.

O lançamento e a repercussão do Patos Agora
Aislan chegou a se associar com outras pessoas e lançar um site de notícias, mas após uma desavença, voltou a publicar no blog. Com ajuda do desenvolvedor Paulo Barbosa do itsit.es, lançou em janeiro de 2013, o site de notícias Patos Agora.

Com ajuda do redator André Côrrea, começou a redigir as próprias notícias e por muito tempo trocou fotos das coberturas jornalísticas que realizava pelos textos de outros jornalistas. “Apurar nunca foi meu forte e sim fotografar”, confessou a limitação.

No ano seguinte, realizou a cobertura de um resgate a um cãozinho que havia entalado em um cano de PVC numa casa do Bairro Boa Vista. “Na hora eu imaginei que isso daria uma reportagem para a Rede Globo e filmei a ação dos bombeiros”.

Ao terminar, Aislan foi direto à sede da TV Integração e passou a imagem para Paulo Barbosa, que disse que repassaria para a produção do programa Mais Você, da icônica apresentadora Ana Maria Braga.

Dias depois, o resgate foi exibido no programa e Ana Maria agradeceu Aislan nominalmente pelo vídeo. Foi a primeira de muitas vezes que o fotojornalista seria reconhecido em rede nacional por uma imagem feita em Patos de Minas.

Em 2018, outro vídeo feito por Aislan ganharia destaque na mídia. Desta vez, com um vexame do músico Bruno, da dupla Bruno e Marrone, embriagado durante uma apresentação na Festa Nacional do Milho.

Reportagem da BBC Brasil sobre a foto de Aislan Henrique
Mas o ponto forte da carreira de Aislan seria com uma foto feita por ele antes mesmo de fundar o Patos Agora, durante um resgate do Corpo de Bombeiros no Bairro Santa Terezinha, em 2011.

Um pedreiro havia ficado preso no interior de uma cisterna e após o intenso resgate, sujo de detritos e bastante emocionado, abraçou fortemente um dos bombeiros que o retirou da fossa. Aislan capturou com perspicácia aquele instante!

A imagem foi tão impactante que no ano de 2017, foi usada como capa da revista que comemorava os 40 anos do Corpo de Bombeiros em Patos de Minas e uma moção de aplausos foi recebida pelo fotojornalista e colegas de imprensa durante a solenidade.

Em janeiro de 2018, a fotografia foi publicava no site do Corpo do Bombeiros de Minas Gerais dias antes do rompimento da barragem de Brumadinho, o que fez com que erroneamente a imagem fosse vinculada à tragédia.

A repercussão foi tanta que inúmeros famosos como Bruna Marquezine, Neymar e até mesmo o presidente da república Jair Bolsonaro, compartilharam a imagem nas redes sociais em solidariedade à catástrofe. Entretanto, nenhum deles creditou Aislan.

A foto circulou internacionalmente de forma descontextualizada e sem que o autor fosse devidamente creditado. Só após a intervenção do fotógrafo carioca Raul que a imagem passou a ser atribuída a Aislan Henrique.

Além das inúmeras curtidas obtidas nas redes sociais, ele começou a ser procurado por emissoras de TVs e sites de notícias, e logo, reportagens explicando o equívoco foram publicadas pela BBC, UOL, dentre outros.

Motorista que saiu de destroços de caminhão segurando bíblia.
Uma imagem que repercutiu bastante em Patos de Minas e marcou a vida de Aislan foi a que ele fez de um motorista de um caminhão de tomate que havia acidentado na BR-365, em agosto de 2016.

Após uma falha técnica, o veículo andou desenfreado por 200 metros, colidindo em uma árvore e em seguida no muro de um motel e em um dos quartos. Após ser socorrido, o caminhoneiro saiu praticamente ileso do veículo segurando uma bíblia.

Porém a notícia que mais repercutiu no Patos Agora foi publicada em janeiro de 2016, quando por sugestão de um PM, Aislan noticiou um incêndio numa casa de encontros com o infame título “Puteiro pega fogo no centro de Patos de Minas”.

“Como eu costumo dormir tarde, publiquei a matéria com aquele título e fui dormir. Não foi por maldade. Quando eu acordei já havia 33 mil acessos e milhares de comentários. Alguns riram e outros se ofenderam bastante”, contou.

Aislan já fez coberturas jornalísticas de parentes que foram baleados e presos. “As pessoas pensam que nunca acontecerá com a gente. Eu fiz a matéria do meu tio, mas fui uma das únicas pessoas a permanecer no hospital cuidando dele”, lembrou.

Devido ao ofício de fotojornalista, Aislan passou a maioria dos natais longe da família realizando coberturas. Este ano ele pretende passar ao lado da esposa Jussara Fernandes e da filha primeira Carol, que está com nascimento marcado para agosto.

A polêmica manchete do incêndio na casa de encontros.

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2 Comentários

  1. Aislan sua história de vida é muito emocionante e seu trabalho muito corajoso. 👏👏👏👏

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