O death metal avassalador da banda Murder Worship

Por Caio Machado
Foto por Ana Nascimento

A banda de death metal patense Murder Worship completará nove anos de estrada em dezembro de 2020. Fundada pelo guitarrista solo e vocalista Diegö Mürray e o baterista Guilherme Braga, o grupo atualmente conta também com os membros Kitaaro “Infernnalist” Gorena (guitarra base) e Sidney Nunes (contrabaixo).

A trajetória da banda Murder Worship começa em meados de 2005, durante a adolescência de Diegö, que ao lado do irmão Rafael Vinhal - que na época tocava bateria - e do baixista Luan Magalhães, fundaram a banda Violent Soul. Diegö começou a compor ideias de músicas, mas as engavetou por falta de interesse de mais pessoas.

Anos depois, a vontade de ativar o projeto fez com que ele se aproximasse de Guilherme Braga, conhecido como “Cannibal”. Ele mostrou duas músicas ao baterista, que de forma bem natural foi dando vida ao trabalho. Os ensaios iniciais aconteciam na sede do Centro Cultural Rui Barbosa (CCRB) na Rua Major Gote.

Num estalo de dedos, as duas canções se transformaram em sete, um número suficiente para que a banda, que agora contava também com o guitarrista base Diogo Gonçalves e o baixista Pedro Corrêa (Pepê), gravasse o álbum de estreia “Hate Celebration”, no ano de 2013.




As gravações aconteceram no home studio do baterista Fábio Santos, da extinta banda de thrash metal patense Darkhron. O trabalho foi produzido por Diegö, Diogo e Fábio e gravado entre os meses de janeiro e fevereiro, de uma maneira bem rudimentar, em uma ocasião em que gravações digitais caseiras estavam se popularizando.

“Fomos convidados pelo Fábio para fazer um teste dos equipamentos que ele havia comprado e ficamos muito satisfeitos com a gravação de uma faixa e decidimos fazer um álbum inteiro. A gravação foi bem underground, mas o resultado foi sensacional”, afirmou o guitarrista Diegö.

Com o lançamento do disco, a banda ganhou notoriedade no cenário de metal nacional e internacional, e foi convidada pelo selo russo GS Productions à lançar o disco em solo europeu, no ano de 2016. A ligação da banda com o velho mundo se reforçaria com uma turnê realizada em cinco países da Europa no ano seguinte.

Segundo Diegö, a banda realizou um planejamento e traçou metas para que a turnê europeia ocorresse com sucesso. Por meio de um contrato custeado pela própria banda com o selo romeno Axa Valaha Productions, o grupo realizou cerca de 20 shows por 17 cidades da Alemanha, Áustria, Hungria, República Tcheca e Romênia.

A banda em Hildesheim, na Alemanha

“Foi uma experiência inexplicável e com certeza o maior passo dado pela banda. A cultura europeia é até difícil de explicar. O pessoal valoriza bastante as bandas underground, compram nosso material, querem te conhecer, te chamam para beber uma cerveja e conversar, perguntam como fazemos as coisas”, afirmou Diegö.

Na ocasião, além de Diegö e Cannibal, o grupo era formado pelos músicos Adriano Necromancer (contrabaixo) e Ricardo Kitamura (guitarra). A banda austríaca de blackened death metal chamada Necifer realizou a abertura de 11 apresentações da Murder Worship e eles se tornaram grandes amigos.

A turnê durou 28 dias e apesar da vasta experiência, o grupo não teve muito tempo para conhecer os países visitados, devido ao grande número de shows agendados. Eles chegaram a tocar em palcos enormes em que importantes grupos de metal se apresentaram, como as bandas Exodus e Ragnarok.

Como toda turnê de artistas independentes, o grupo passou por situações de perrengue, e em uma cidade da Alemanha, sofreram um ato de vandalismo quando saíram pela manhã para comprar uma bag de guitarra em uma loja de instrumentos. Ao voltarem para a van, se depararam com umas das janelas quebradas.

No mesmo dia, eles teriam que viajar para uma cidade localizada a 300 quilômetros de distância e enfrentaram um frio insuportável de cinco graus negativos, devido ao vidro quebrado. O que resultou no adoecimento do gerente da turnê e num resfriado de Guilherme, que fez um show com mais de 40 graus de febre.

Diegö relata que realizar a turnê foi realizar um dos maiores sonhos de sua vida e que na Europa ele sentia vontade de cair na estrada e nunca mais voltar. “Nada paga essa experiência, fizemos shows para muitas pessoas e outros para apenas cinco, mas estas cinco pessoas pareciam milhões”, relatou.

O guitarrista e vocalista relata que até hoje ainda recebe fotos de fãs que adquiriram o CD da banda durante os shows e frequentemente são convidados para retornar à Europa. “É muito gratificante e dá um baita gás pra banda. Você percebe que pode ir onde quiser, se planejar tudo”.

Durante o II Festival de Música do Unipam, em 2018

Em Patos de Minas, a banda se destacou vencendo algumas competições musicais, como a terceira edição do Pato Rock Festival no ano de 2016 e a obtendo a segunda colocação nas duas edições do Festival de Música do Unipam (Centro Universitário de Patos de Minas), realizados nos anos de 2016 e 2018.

A sonoridade do death metal deriva do heavy metal, mas destoa do gênero por ser mais agressivo e pesado. As afinações dos instrumentos de cordas costumam ser mais graves, as baterias extremamente rápidas e os vocais são gritados e cantados por meio de técnicas guturais cavernosas.

Segundo Diegö, o som da banda é influenciado pelos percussores do gênero, que foi consolidado por bandas norte-americanas dos anos 90 como Morbid Angel, Obituary e Cannibal Corpse, cuja canção “Muder Worship” serviu para intitular o grupo patense. Eles também recebem influências de bandas suecas como Entombed, Grave, etc.

Ele afirma que tocar um estilo musical como este no interior de Minas Gerais não é uma tarefa fácil, mas também salienta que o metal é marginalizado desde os primórdios. “Sempre foi uma vertente underground, com dificuldade de aceitação e de conquistar o próprio lugar”.

Para o guitarrista, uma banda de metal deve ser tratada como uma empresa, pois o que mais pesa além do preconceito musical é a questão financeira. “Se você conseguir pagar um agenciamento para tocar fora do país é mais fácil, pois o preconceito lá fora é menor e o metal é praticamente considerado como algo cultural”.

Foto por Ana Nascimento

A Murder Worship estava com diversos planos para o ano de 2020, que infelizmente foram barradas pela crise sanitária da COVID-19. Uma delas era iniciar uma turnê por países da América Latina como Argentina, Chile, Uruguai e Bolívia, nos mesmos moldes em que a banda havia viajado pelo leste europeu.

Uma outra realização seria o lançamento do segundo disco do grupo, que acontecerá mesmo diante da pandemia, porém sem um festival que traria bandas de fora para participar. O trabalho será lançado nas plataformas de streaming e Diegö planeja publicá-los em CD e em tiragens limitadas de discos de vinil.

Para acompanhar o trabalho da banda patense Murder Worship basta seguir o perfil oficial no Instagram e a página no Facebook. Além da mídia física em CD, o álbum de estreia do grupo “Hate Celebration” está disponível na íntegra no Youtube e no Spotify.

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