Parada “22”

Por Isadora Tavares


Este poema precisa ser descrito
excepcionalmente numa manhã de domingo.
Mas, se possível não for,
‘inda cabe numa segunda com esplendor.

Quem costuma transitar
pela Severino de Almeida,
volta e meia já deve ter visto,
o solene personagem
que aqui será descrito.

São 8 horas e o sol brilha
em toda Patos de Minas.
Do interior de um Pássaro Branco,
observo o colorido lá fora.

Aquela figura caricata
sempre me chamou atenção.
Já que pego a viação
todos os dias para laborar
e passo exatamente pelo ínfimo lugar.

Há tempos que vejo um homem de pé,
recostado por detrás das grades.
Ele tem um ar de menino
com a sombra da meia idade.

Eu acho que o velho garoto
tenta adivinhar,
o que se passa na vida
de cada pessoa
que está a observar.

Neste caso em específico,
pela janela do ônibus fito,
uma cena que merecia ser capturada,
pelas lentes de Agostine Braga.

Refiz um antes e depois mental daquele momento.
Porque, há poucos meses eu via
o semblante por trás do rosto macilento;
E só hoje me dei conta, que uma máscara de proteção,
impedia agora essa visão.

Porém, de tão trivial a cena,
foi preciso dias a fio
para minha total compreensão.
“Estamos em Pandemia, ainda”.

Não te julgo homenzinho,
por qualquer que seja a sua intenção.
Eu mesma, plena das minhas faculdades mentais,
já inventei ao menos 20 histórias
para cada transeunte.

Enquanto passageiros
desciam
e embarcavam
na minha imaginação.

Isadora Tavares é redatora, jornalista e poeta nas horas vagas. Também é aluna do Curso Livre de Formação de Escritores pela Editora Metamorfose.

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