Jardim Secreto

Por Elza Maia


As mudanças são efêmeras. Flores em um jardim flutuam a sabor do vento enquanto você se senta abraçando os joelhos, sentindo a brisa te transpassar com a umidade do ar.

As mudanças acontecem de maneira singela. Elas surgem como um fino corte de papel, doem no começo e ardem ao longo do tempo. O sol se põe gentilmente ali ao longe, na imensidão do céu que você inutilmente tenta delimitar, como um globo de neve de uma loja de conveniência.

As lágrimas salpicam as bochechas à medida que descem, cálidas como o sangue quente que enrubesce a face. O vento continua, brincando de afagar a sua pequenez.

Os olhos castanhos resplandecem a infinitude do ser. Que cabe, quem sabe, em uma música qualquer.

São os momentos de fragilidade que transformam o ser em sua simplicidade a finitude do infinito.

Não se cabe dentro de si. Não cabemos em nossas emoções.

As mudanças são efêmeras. Como o balançar da grama no campo aberto. Você a segura, a puxa e a arranca para garantir que ainda está ali.

E só assim há de se ver.

E só assim permitimos ser.

Sentimentos descabidos que transbordam em batimentos cardíacos acelerados.

E só assim há de se sorrir.

Ao final do por do sol, ao se garantir, ao despedir do pensamento inicial e deixá-lo esvair como as lágrimas que saltam.

Se sorri de si.

Momentos que somos.

Somos o que conseguimos ser, somos o que os olhos podem ver. E a imaginação lapidar, em uma bela pintura.

Gargalha-se.

Fim de dia, estrelas despontam no céu. A cabeça afunda entre os joelhos em negação. Chora-se de rir. É magnifico existir.


Elza Maia é uma amante da escrita e aprecia colocar no papel os sentimentos da vida cotidiana. Futura psicóloga, pretende mesclar as duas paixões em uma.

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