Os 21 anos de telejornalismo de Viviane Silva

Por Caio Machado


Ao longo de 21 anos, a imagem e a voz de Viviane Silva invadiam os lares patenses com muita informação pelas telas da TV. Falar de NTV (a primeira emissora de Patos de Minas) nos anos 90 e 2000, e não se referir à figura da repórter e apresentadora, era praticamente impossível para quem acompanhava o conteúdo do canal de notícias.

Sempre elegante e com a dicção afiada e precisa, Viviane Silva aparecia no canal 8, na maioria das vezes, com os cabelos curtos ou com o corte “Chanel”, a sua assinatura visual. Dividindo a bancada com nomes como Edvar Santos e Maurício Rocha, ela apresentava o NTV News, 30 Minutos, Espaço Feminino, dentre outros programas da emissora local.

Casada e mãe de dois filhos, a patense filha de Dulce e Osvando estudou nas escolas estaduais Cônego Getúlio e Zama Maciel, e sempre demonstrou aptidão para a área das exatas, chegando até a estudar neste segmento. Como ela foi parar na televisão você descobre na entrevista a seguir, concedida ao Jornal de Patos via WhatsApp, no fim de 2022:

Jornal de Patos: Ao ingressar no Unipam, você cursou Ciências Biológicas, porém optou pela Matemática. Sabendo de todas as décadas que você atuou como âncora e repórter, como o jornalismo se tornou uma possibilidade de carreira para você?

Viviane Silva: Minha mãe, conta que na infância, enquanto nós assistíamos TV, eu falava que queria trabalhar lá dentro... Já seria um indício? Mas nunca cheguei a pensar no jornalismo como uma possibilidade de carreira, até o ano de 1995, quando tive meus primeiros contatos com a NTV. Anos mais tarde, também tive oportunidade de ser redatora do Informativo Diocesano de Patos de Minas. Além de um breve contato com o trabalho no rádio.

JP: Como você começou a trabalhar na reportagem da NTV?

VS: No final do ano de 1995, a NTV anunciou em seu telejornal que estaria contratando repórter. Na época, quem viu a notícia e me falou a respeito, foi meu pai, que já era telespectador assíduo. Eu estava terminando o ensino médio e ele me encorajou a participar da seleção. Confesso que relutei muito, por ser uma adolescente tímida, mas acabei convencida pelos argumentos dele. No dia seguinte, estivemos na antiga sede da emissora, na Rua Olegário Maciel. Preenchi uma ficha e passei por um teste de vídeo. Não confiei que daria certo, afinal, nunca percebi que levasse jeito para a comunicação. TV então, nem pensar!...

Passado algum tempo, fui chamada para um período de treinamento. Uma das maiores emoções, que havia sentido até então. Na época, a vaga era para apresentadora. Aprendi muito gravando algumas edições do jornal com Ricardo Faria que, com muita paciência, me ensinou um pouco de tudo dentro da TV. A partir daí a oportunidade de trabalho abriu um novo mundo pra mim. Em Janeiro de 1996 fui contratada e estreei na TV ao lado de Ludmila Bahia.

O trabalho não ficou apenas na apresentação. Tive oportunidade de passar pela edição, reportagem, editoria e apresentação dos programas de entrevista da casa. Aprendizado atrás de aprendizado... Quem não conhece, não faz ideia do que é produzir um telejornal. Cada dia é diferente do outro. Igual, apenas a responsabilidade e a satisfação de cumprir um papel tão nobre. O tempo foi passando e fui entendendo a importância da emissora e meu trabalho, para Patos de Minas e região. A população ganhou voz e pôde cobrar seus direitos e mostrar quão especial é essa terra mineira.

JP: Aposto que foram muitas histórias curiosas e causos marcantes durante o tempo em que esteve na TV, né?

VS: Em 21 anos de trabalho na NTV, foram muitas histórias marcantes, apertos “sinistros” durante as apresentações ao vivo e muitas amizades construídas. A apresentação do primeiro jornal... meu Deus... que nervosismo! Motivo de muitas risadas, hoje. E quando o teleprompter, que no início era manual, falhava? Improvisos e o coração batendo a mil... A profissão me colocou em contato com a história da minha cidade, figuras ilustres, acontecimentos importantes e outros de medo ou revolta. Participei de inúmeras coberturas da nossa Fenamilho, rebeliões em presídios, acidentes e crimes horríveis. Presenciei o início de atividades relevantes que colocaram a cidade como referência na região. O incêndio do nosso Cine Riviera, a captura de bandidos que explodiram caixas em um Banco da Rua Major Gote e por aí afora... O shopping chegou, ficou marcado por um crime comentado por anos. A batalha pela vida de um lindo garotinho que tinha leucemia e que mobilizou a cidade. Ele viveu por cinco anos, mas alertou-nos sobre a importância da doação de medula. Reportagem inesquecível pra mim. Conheci seres humanos incríveis, muitas vezes anônimos, que conseguiram transformar suas realidades. Quantas coisas me vêm à cabeça agora... acho que dariam um livro. Importante ressaltar que cada pessoa com quem conversei deixou algo de si... E olha que foram muitas, hein?!

JP: Como você lidava com as pessoas na rua já que passou tantos anos na TV e com certeza era bastante reconhecida pelos telespectadores?

VS: No início, fiquei um pouco incomodada. Envergonhada, na verdade. Tinha apenas 18 anos e reforço, era bem tímida. Com o passar do tempo, entrando diariamente nos lares patenses, a satisfação de ser abordada por alguém na rua não poderia ser mais agradável. Não apenas os elogios, mas o carinho daqueles que se aproximaram muitas vezes apenas para dizer que tinha me assistido na noite anterior, reforçaram a minha responsabilidade diante das telas. Quanta honra! Idosos, adultos, crianças... Cada um encheu meu coração de alegria. Serei eternamente grata!

JP: O que você tem feito desde que deixou Patos de Minas?

VS: Em 2017, decidi fazer uma pausa na carreira para me dedicar à família. Meu marido foi aprovado em um concurso federal no estado do Pará e então decidimos nos mudar. Desde então, me divido entre a maternidade e os cuidados da casa. Uma mudança radical que trouxe novos desafios para minha vida. Hoje minha filha mais velha Isadora, já com 18 anos, está em Patos de Minas, onde faz o curso de Arquitetura no Unipam. Eu, meu marido Ronan e meu filho mais novo Théo, com 6 anos, estamos em Belém, capital paraense. A mudança despertou novas habilidades e trouxe um profundo interesse pela educação e desenvolvimento infantil. Área que ganhou meu coração e a qual pretendo me dedicar em um futuro breve. Quanto ao jornalismo, uma das minhas paixões, não sai do meu dia a dia. Mesmo distante, tento colaborar com meus colegas e amigos, passando pautas e sugerindo algumas reportagens. Quando volto a Patos de Minas, um dos importantes compromissos é rever as pessoas que marcaram minha vida profissional e pessoal e voltar à emissora. Que satisfação eu sinto!

JP: Falando em voltar para Patos de Minas, em uma dessas oportunidades você chegou a abrir mão de descansar nas férias para novamente trabalhar na NTV. Como foi?

VS: No final do ano de 2021, passei um tempo na cidade, e tive a oportunidade de reviver as “loucuras” da rotina jornalística. A NTV novamente abriu as portas para que eu passasse mais de um mês fazendo reportagens e voltando à bancada que me transformou em quem sou hoje. Como valeu a pena! Alegria imensurável em cumprir aquela missão e rever pessoas que “deixaram meu coração quentinho” com tantas expressões de carinho. Será que jornalista fala muito?! (Risos)... Resumindo, sou grata pela oportunidade que trouxe me trouxe uma profissão gratificante e proporcionou muito, muito conhecimento. Sou grata a cada pessoa que falou comigo nesses 21 anos de trabalho e aos jornalistas e amigos que tanto me ensinaram. Hoje, longe fisicamente, da cidade, posso acompanhar tudo que acontece por aí, através do trabalho sério de tantos novos e antigos profissionais que Patos de Minas tem na comunicação. Gratidão, Jornal de Patos pela oportunidade de contar um pouquinho da minha história e meu amor pelo jornalismo.


Caio Machado é bacharel em Jornalismo pela Universidade do Estado de Minas Gerais. Além de editor-chefe do Jornal de Patos, também atua como repórter televisivo, produtor musical e artista independente.

🦆

Apoie o jornalismo independente colaborando com doações mensais de a partir de R$5 no nosso financiamento coletivo do Catarse: http://catarse.me/jornaldepatos. Considere também doar qualquer quantia pelo PIX com a chave jornaldepatoscontato@gmail.com.

Postar um comentário

0 Comentários