Antigo Calendário

 Por Natália Marins

Sou do tempo em que não havia celular com internet 

Os telefones tinham fios e só ricos tinham um 

Os computadores pareciam tijolos 

As músicas eram ouvidas pelo rádio 

Haviam orelhões nas ruas 

As pessoas falavam sem olhar só para o celular 


Sou do tempo em que o relógio era de parede 

Não existia shopping na cidade 

Não tinha sequer um cinema de verdade 

Sou do tempo dos bares de rock 

O pai chegou na porta do bar com um machado 

Sou do tempo que se costumava ter pais 

Mas não sei se aquele tempo tinha paz


Sou do tempo em que os muros não eram tão grandes 

Me lembro que as pessoas conversavam bem mais 

Tempo em que eu sonhava em ter a idade que tenho hoje 

Tempo em que sonhava 

Tempo que fizeram o que queriam comigo

Arrumei a bagunça dos outros 

Me importei demais com os outros 

Foi se o tempo 


Anos se passam como velhos amigos 

Bom e distantes infelizmente 

A realidade é feita de agoras 

O tempo seria nosso inimigo? 


Sou do tempo em que se via de longe os balões da festa 

Sou do tempo em que sonhava em fazer minha festa 

Sou do tempo em que vestia a máscara do ego 

Sou do tempo que sentia nas mãos os pregos 

Sou do tempo em que se jogava o jogo do contente 

Sou do tempo em que era fácil rir e mostrar os dentes 

Sou do tempo em que não queríamos matar nenhum presidente 

Sou do tempo em que pessoas se matam pela cachaça presidente

Overdose de tempo 


Sou do tempo em que olhávamos no olho sem medo

Ríamos como loucos,

Não importava o enredo

Por que será que tanto tempo passou e só agora percebi que era tão bons aqueles momentos?

Eram duros & amenos 

Depende em qual linha do tempo eu parei 

Seja no meu doce quarto ou no amargo do sereno

Tempo, tempo... 

Vá com calma, 

No silêncio parece que o tempo para. 

Venho por meio deste contá-la, pessoa

Que não importa quanto tempo passa 

Você ainda está aqui com você - pra sempre! 

Então seja gentil com suas necessidades, suas verdades 

De tempo ao tempo 

A vida cobra demais o tempo todo 

A gente se perde tentando jogar esse jogo 

Mas no fundo não importa quanto tempo 

O fim é o mesmo, lamento 

Mas é preciso dar um jeito 

de vez em quando ouvir os nossos sentimentos

Esquecer dos problemas por um momento 


As vezes sinto certo pressentimento 

Como se tivesse algo muito errado acontecendo 

O tempo passando muito rápido 

Os problemas passando lento 

Me pergunto, até quando, por que, quem e onde? 

Quero respostas rápidas 

Vou questionar o tempo quando ele passar

 Infelizmente, eu não nasci ontem.


Natalia Marins é uma jovem sonhadora que sempre encontrou nas palavras um abrigo e uma forma de mudar o mundo a sua volta e seu próprio universo. Escritora, slammer, cantora, compositora de rap e uma eterna aprendiz de ser humano. Fala sobre temas como amor, união, resistência, luta feminina e problemas sociais.

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2 Comentários

  1. Também era desse tempo, por isso hoje não sou de tempo nenhum e nem existo mais

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  2. Esse mundo retém todo nosso tempo...

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