Bertiher: entre tintas, rap e graffiti

Por Caio Machado

Quem caminha pelas ruas de Patos de Minas e depara com graffitis por muros frequentemente está apreciando a obra do patense de 27 anos, Bertiher Teixeira do Amaral Junior.

A arte de rua de Bertiher está completando uma década no concreto do cenário urbano patense. Além dos muros, ele pinta telas e recentemente expandiu para as peles das pessoas, atuando como tatuador.

Bertiher cresceu no Bairro Sebastião Amorim, onde construiu todas as amizades que mantém até hoje. Ele estudou no ensino fundamental na Escola Estadual Eunápio Deiró Borges, mudando-se para o Normal no ensino médio.

Em 2009, ao regressar para o Deiró Borges no terceiro ano, deu início na trajetória artística que se estenderia pelos próximos dez anos. Ao lado do colega Marcos Lima “Negão”, participou de uma mostra cultural com cartazes que pintaram.

Ao contrário do que se imagina de um artista de rua, Bertiher não ingressou no ramo por influência direta de grafiteiros e sim da música rap, cuja temática urbana é sempre presente. E claro, diversas capas de discos do gênero são ilustradas por graffiti...

Ele cita os grupos Racionais MC’s, Facção Central e GOG, como as maiores influências de rap e desencadeadoras do graffiti que começaria a aprimorar com o amigo Rafael, que lhe ensinou algumas coisas e juntos grafitaram uma parede na casa dele.

Trabalho inspirado na avó de Bertiher, que era catadora de recicláveis
O primeiro muro que Bertiher grafitou foi em 2010 no Beco Raimundo Alves, que logo se tornaria conhecido como “Beco do Graffiti”, e ganharia cores e desenhos de diversos grafiteiros da cidade.

“Conversei com meu tio, que era dono da casa e ele autorizou. Porém eu tive que pagar um pedreiro para rebocar o muro, e além dos materiais de construção, também pelas tintas que usei”, contou Bertiher.

Na mesma ocasião, ele ingressou no curso de Educação Física no Centro Universitário de Patos de Minas (Unipam), mas logo percebeu que queria viver de arte e trancou. Ele começou a grafitar bastante e a fazer alguns cursos.

Mesmo que tenha sido influenciado pelo rap para grafitar, ele também recebe inspiração dos artistas Kuêio, Paulo Ito, Chis, dos mineiros Dequete e Ed-Mun, e inúmeros outros.


Em 2016, junto dos artistas patenses Ktiopa, Mts, Dw, Sebola, Matt, Lekim e Chicão, Bertiher criou o grupo de grafiteiros Los Katiopa Crew. O nome surgiu devido aos cabelos dos integrantes, que na ocasião, eram todos longos.

Nos anos seguintes, Bertiher participou de diversos eventos culturais e encontros de graffiti. Um deles foi o “Arte e Cultura na Kebrada”, um projeto que reúne cerca de 300 grafiteiros de todos os lugares do país em São Paulo.

Ele também participou do Meeting of Favela (MOF), realizado no Rio de Janeiro. Um dos maiores eventos da América Latina, em que artistas do mundo inteiro se juntam para pintar a comunidade de Vila Operária em Duque de Caxias.

Em Patos de Minas, ele ajudou a organizar eventos com o Trem das Ruas e as Batalhas de Tinta, em que os artistas, de segmentos diversos, como desenhistas, pintores e grafiteiros, competiam em telas de tamanho igual e eram julgados pelo público.

Obra grafitada dentro do Córrego do Monjolo
Devido a pandemia, os eventos culturais envolvendo graffiti e hip hop estão parados, mas Bertiher afirma que ao término, pretende voltar a se envolver e lançar algum evento similar as Batalhas de Tinta.

Bertiher não teve a rotina artística tão prejudicada pelo coronavírus. Ele desenha grafite com lápis de cor em casa e trabalha no projeto Meow Lab com a companheira Ana Romão, fazendo graffitis comerciais para empresas da cidade.

Com as tatuagens, ramo que começou a trabalhar recentemente, está parado devido as medidas de distanciamento social. Ele pretende concluir o curso de educação física, que retomará no segundo semestre de 2020 e também lecionar artes em escolas.

No começo do mês, Bertiher venceu a categoria de grafite do concurso cultural da Prefeitura Municipal “Patos Coração e Chão”, com um graffiti de cerca de quatro metros de altura, por três de largura.

No mural grafitado no fundo de casa, uma menina alimenta galinhas. A ideia dele foi interagir com o ambiente, pois galinhas de verdade se alimentam ao lado da obra. “É algo bem cultural da região, principalmente na nossa cidade”, explicou.

Graffiti vencedor do concurso "Patos Coração e Chão"

Postar um comentário

4 Comentários

  1. Esse menino é fera! Gosto demais do trabalho dele

    ResponderExcluir
  2. Excelente profissional! Mas de todos os grafites dele que já vi na cidade o mais impactante é o do córrego do monjolo inclusive pela mensagem.

    ResponderExcluir
  3. Artista demais! Orgulho de ter conhecido

    ResponderExcluir
  4. Muito bom Thie e brabo, a criatividade dele é incrivel

    ResponderExcluir

Obrigado por comentar!