Sam, toque Vapor Barato, mais uma vez...

Por José Eduardo de Oliveira

"O mistério
Que ninguém sabe.
Para onde o amor vai
Quando se vai?"
Lera Lynn

Imagem: Divulgação

No ano passado o filme, “Casablanca”, fez oitenta anos. Para muitos é um filme datado. Para mim, ele não envelheceu nada, ou melhor, como os vinhos que são consumidos à rodo em toda a história, ele ficou melhor com a idade. Aliás, como todo clássico, o tempo os preserva e os aprimora.

Este filme, segundo a Wkipédia, foi baseado na peça teatral Everybody Comes to Rick's (Todo mundo vem para o café de Rick), de Murray Burnett e Joan Alison, e foi roteirizado por Julius J. Epstein, Philip G. Epstein, Howard Koch e Casey Robinson. O filme recebeu três estatuetas do Oscar de 1942, melhor filme, melhor direção e melhor roteiro.

No filme “Casablanca”, de 1942, dirigido por Michael Curtiz, ao pianista Sam [Dooley Wilson] sempre era pedido para, cantar a canção “As Time Goes By”.

Essa canção, “As Time Goes By” [Com o passar do tempo], foi escrita por Herman Hupfeld em 1931. E ela era que unia o pianista a um dos pares mais apaixonados de toda a história do cinema, Rick Blaine [Humphrey Bogart] e Ilsa Lund [Ingrid Bergman]. De toda história de amor já filmada. E como toda história de amor, uma história de amor impossível. Impossível, mas não trágica, porque os apaixonados, seguem vivos. E talvez pensando, em alguma possibilidade. “Eu ainda não morri”, podem ter dito ou pensado...

As músicas permeiam toda a película, aliás, as músicas permeiam todas as nossas vidas, na alegria e na tristeza, no nascimento e na morte. No amor e no ódio. E também, em algum momento do filme, nos salões do “Saloon” de Rick Blaine, o “Rick’s Café Américain”, os alemães começam a cantar a música alemã, “Die Wacht am Rhein (A Guarda do Reno), quase um hino alemão, e aí em uma das passagens mais emocionantes do filme, os franceses se levantam e começam a cantar a “La Marseillaise” (A Marselhesa), hino da França. É bom lembrar, que o filme foi rodado em, 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, e em Casablanca, no Marrocos, apesar de ser uma colônia francesa de uma França ocupada pelos nazistas, ali, era uma terra de ninguém cheia de nazistas, franceses e gente de todas as partes do mundo, inclusive marroquinos, tanto heróis quanto traidores, inclusive o americano, Rick um caustico, desiludido e misterioso “apátrida”.

Já, “Vapor Barato”, de Jards Macalé e Wally Salomão, já foi gravada e regravada por inúmeros cantores e cantoras desde o seu lançamento, mas minha intérprete predileta desde sempre foi Gal Costa, a diva. E não tem nada, nada mesmo de elo de ligação, com Casablanca e o resto disso tudo.

Exceto pelo fato, que eu, em todos os botecos que chegava e tinha um cantor ou uma cantora eu pedia para tocar “Vapor Barato”, mais uma vez... Isso aconteceu dentre outros lugares, em Belo Horizonte, Patos de Minas, Ouro Preto, Mariana, Diamantina, São João Del Rei, Uberaba, pelo que eu me lembre nesse momento. Como no filme: Sam, toque Vapor Barato, mais uma vez...

E que, na música como no filme, alguém estava indo embora e alguém ficando, mas ambos apaixonados.

Bem, como no filme: “Sempre teremos Ouro Preto”. E a mesma corrubiana... Seja do aeroporto de Casablanca, seja da praça da praça Tiradentes da antiga Villa Rica, seja de nossos destinos... A solidão de quem vai e de quem fica...

Garçom, traga o meu amigo Jack D., para a saideira...

Vapor barato [1971]
Letra de Jards Macalé e Wally Salomão

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio

Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
E não me importa, honey

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Oh, minha honey baby
Honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu 'to indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto (quem sabe)
Mas eu preciso esquecê-la (eu preciso)
Ah, minha grande
Ah, minha pequena
Ah, minha grande obsessão

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio

Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
E não me importa, honey

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Oh, minha honey baby
Honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu 'to indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto
Mas eu preciso esquecê-la (eu preciso)
Ah, minha grande
Ah, minha pequena
Ah, minha grande obsessão

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby...


José Eduardo de Oliveira é licenciado em História pela Universidade Federal de Ouro Preto

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