Janela Verde lança álbum "Despertar" com nova formação e sonoridade

 Por Caio Machado

 
A banda patense Janela Verde lançou, no último dia 18 de julho de 2026, o álbum “Despertar”, trabalho que reúne cinco faixas e marca uma nova fase na trajetória do grupo, que agora mergulha em uma sonoridade acid rock psicodélico, distanciando-se um pouco do rock progressivo que a banda consolidou ao longo de mais de duas décadas.

À frente dos vocais está agora Alex Araújo, um dos integrantes originais do Janela Verde e responsável pelas letras das músicas do disco. Antes baterista, Alex assumiu o microfone após as mudanças na formação e a saída dos vocalistas Divino Augusto Abreu e Guilherme Machado, passando a ocupar definitivamente a função. A banda mantém o tecladista Davi Leandro e o baixista Pedro “Mutante” e conta com a chegada do baterista Acaiá e do guitarrista Leonardo Oliveira.

A mudança não representa apenas uma alteração na formação, mas também uma renovação artística. Segundo os integrantes, o título “Despertar” inclusive faz referência justamente ao momento vivido pela banda, que deixou parte do repertório antigo de lado para começar uma nova etapa com composições inéditas.

O disco foi produzido por Alan Girardeli, no Estúdio Daumrec, entre 2025 e 2026. O álbum é formado pelas faixas “Vampiros”, “Escolha”, “Alma Cativa”, “A Deriva” e “Despertar”. A música que dá nome ao trabalho foi lançada anteriormente como single, em julho de 2025, e acabou servindo como uma espécie de ponto de partida para o novo momento do grupo.

Protesto e falta de amor e empatia

As letras do disco carregam forte crítica social. Segundo Alex, “Vampiros” é um manifesto contra a ambição, a exploração e a desigualdade. Na interpretação do músico, os “vampiros” representam aqueles que se alimentam do esforço e do trabalho de outras pessoas, sem necessariamente precisar de violência explícita: o “sangue” seria também o suor de quem trabalha.

A música também utiliza a imagem das “gravatas apertadas” para se referir às autoridades e pessoas em posições de poder que exploram ou prejudicam a população. A crítica, porém, não é direcionada indistintamente a uma categoria específica: Alex ressalta que existem pessoas corretas e incorretas em diferentes setores da sociedade.

A faixa “Despertar”, que encerra o disco, segue a mesma linha de crítica e conscientização. O próprio título funciona como uma convocação para que as pessoas “acordem” diante dos problemas ao seu redor. A proposta, segundo explica Alex, “é provocar uma mudança de comportamento e estimular uma postura mais consciente”.

Já “Escolha” se distancia das demais por apresentar uma abordagem mais romântica. A música fala sobre o amor entre um homem e uma mulher e acabou se tornando, segundo os integrantes, uma das faixas mais acessíveis do álbum. A composição surgiu ainda no início do processo de criação da nova formação e foi desenvolvida rapidamente durante os ensaios. “Quase ficou de fora do disco”, confessa Alex.

“Alma Cativa”, por sua vez, nasceu da observação de situações cotidianas de indiferença diante de pessoas em situação de vulnerabilidade. A composição aborda o individualismo e a falta de empatia, temas que, de acordo com a banda, atravessam praticamente todo o álbum, e que infelizmente estão cada vez mais evidentes na sociedade.

Em “A Deriva”, a narrativa utiliza imagens simbólicas para falar sobre obstáculos, amor e espiritualidade. A ideia do barco seguindo em direção ao coração, por exemplo, é associada ao amor, enquanto elementos como o céu escuro e a dificuldade de enxergar representam aquilo que impede ou dificulta o caminho. A música também traz uma dimensão religiosa, relacionada à fé cristã de Alex e à ideia de amar e ajudar o próximo.

A mensagem religiosa aparece nas letras sem se separar da crítica social. Para Alex, ajudar alguém não deveria depender de reconhecimento público ou exposição nas redes sociais. O gesto de solidariedade, em sua visão, deve acontecer pelo próprio ato de fazer o bem.

 Uma sonoridade renovada

Musicalmente, Despertar combina referências do rock psicodélico com riffs mais pesados e uma abordagem mais agressiva, principalmente nos vocais rasgados de Alex. Os próprios integrantes relacionam essa sonoridade às mudanças na formação, especialmente à chegada de Acaiá e Leonardo Oliveira, que trazem influências distintas.

A gravação de Alan buscou inclusive preservar o caráter orgânico da banda. As músicas foram construídas e ensaiadas antes da entrada no estúdio, com guias produzidas durante os ensaios. O material serviu de base para as gravações, contribuindo para uma sonoridade que os músicos consideram próxima da execução ao vivo.

Embora tenha mais de duas décadas de história, o Janela Verde enxerga “Despertar” como um recomeço. O grupo já trabalha em novas músicas, mas a prioridade agora é apresentar o material ao público e consolidar a nova formação nos palcos. Ouça o álbum nos principais serviços de streaming e siga a banda no Instagram @bandajanelaverde.

 

Caio Machado é bacharel em Jornalismo pela Universidade do Estado de Minas Gerais. Pós-graduado em Jornalismo Digital, além de editor-chefe do Jornal de Patos é produtor musical e artista independente. 

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