A apresentação acontece no sábado, dentro da programação que transforma a Rua dos Carijós, o Terraço Brasil, no 7º andar do histórico Cine Theatro Brasil e a CâmeraSete em um grande palco a céu aberto. E o cenário não poderia ser mais simbólico: o grupo pisará em um território que respira a história do teatro brasileiro.
Um palco que é patrimônio do país
O entorno da Praça Sete guarda um dos mais importantes marcos culturais de Minas Gerais. O Cine Theatro Brasil, inaugurado em 14 de julho de 1932, foi o primeiro arranha-céu de Belo Horizonte em estilo Art Déco, projetado pelo arquiteto Ângelo Alberto Murgel. Na época, era considerado o maior cinema do país, com capacidade para cerca de 2.500 espectadores.
O prédio, tombado pelo patrimônio histórico estadual e municipal, fechou as portas em 1999, durante a crise dos cinemas de rua, e permaneceu adormecido por 14 anos. Reaberto em 2013 como Cine Theatro Brasil Vallourec, voltou a pulsar cultura no coração da capital. É esse território — entre o edifício histórico e a Praça Sete, que o Quarteirão das Artes ocupa, idealizado pela gestora cultural Sandra Campos e integrado à Avenida Cultural.
Quem é o Grupo Akazu
Criado em 2012, o Akazu nasceu como um teatro experimental e se consolidou como um grupo de teatro popular de pesquisa, que tem na valorização da cultura brasileira sua principal bússola. Em 14 anos de trajetória, o grupo se destacou pela irreverência, pela musicalidade e pela capacidade de provocar a discussão cultural de um povo por meio da encenação.
A direção é de Rodrigo Caixeta, e o repertório já inclui montagens como "A História Dele", "Lumiar", que retrata a vida e a obra de Aleijadinho e adaptações de clássicos como "Morte e Vida Severina". É essa veia de pesquisa popular que o grupo leva agora para a capital.
"Nicolau": uma lição de vida entre nuvens e pássaros
O espetáculo que o grupo apresenta em BH mistura teatro, música e poesia. A história se passa em uma cidade imaginária construída sobre palafitas, onde as avenidas são rios e as ruas, afluentes e onde cada habitante precisa usar um par de pernas de pau para se locomover.
Nicolau é o morador equipado com as pernas de pau mais compridas de todas. Caminhando acima da multidão, na altura dos telhados, ele adora o céu, as nuvens e os pássaros. Em uma noite de inverno, a mais longa do ano, a população organiza uma grande festa ao redor da fogueira. É então que algo inesperado acontece, e Nicolau presenteia o público com uma linda lição de vida sem nunca abrir mão de seu espírito sonhador, aventureiro e explorador. Na memória de suas andanças, ele guarda com carinho um lugar muito particular: As Minas Gerais.
Com duração de 50 minutos e cinco atores em cena, o espetáculo é um convite a olhar o mundo de cima e, ao mesmo tempo, a não esquecer o que acontece aos nossos pés.
Quarteirão das Artes 2026
- Quando: 17 a 19 de setembro de 2026, das 9h às 22h
- Onde: Rua dos Carijós (trecho ao lado do Cine Theatro Brasil), Terraço Brasil, CâmeraSete e equipamentos culturais do entorno — região da Praça Sete, Belo Horizonte
- Espetáculo "Nicolau" (Grupo Akazu): sábado (19), junto à programação do dia
- Programação gratuita, com shows de Lamparina, Cobra Coral e Moreno Veloso & Domênico Lancellotti, além de dança, gastronomia, feira criativa e artes visuais
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